Textos
Ode ao filho meu
Não, não é fácil
encarar o fim.
Não é fácil tê-lo
longe de mim.
Hoje tenho um vazio
preenchido de saudade.
Me compreendes? Me ouves?
Onde estais? Quem vai me abraçar?
Busco teu sorriso
com os olhos vendados.
Me recordo de cada
gesto teu.
Te vejo caminhando
cabisbaixo,
olhando firme para o todo,
não buscando nada.
Tu sabias, eu também.
O fim foi se aproximando
de nós dois.
Senti a angústia
de uma quietude inexplicável.
Não, não queríamos o fim,
mas não dependia nem de mim
nem de ti.
Hoje vivo carregando
um ego sem respostas;
um coração em frangalhos
que só queria agora
um abraço apertado!
Fostes assim, como todo fim.
Um adeus condensado
em palavras sortidas de emoção;
muito obrigado, mãe!
E assim, soltastes a minha mão.
Renilda Viana
Enviado por Renilda Viana em 16/03/2025